O que a psicanálise entende por sexualidade — e por que diz respeito a todos nós
Na psicanálise, sexualidade não se reduz ao ato sexual: ela atravessa a forma como desejamos, nos vinculamos e nos reconhecemos no olhar do Outro. Este texto abre nossa série sobre sexualidade com um convite: pensar o desejo para além do óbvio.
1) Sexualidade não é só sobre sexo
Em termos psicanalíticos, sexualidade é uma economia do desejo: a maneira singular como cada sujeito organiza faltas, fantasias, satisfações e limites. Ela começa cedo, passa pelo corpo, mas se escreve na linguagem: nomes, proibições, preferências, marcas da história.
2) O que a terapia pode abrir quando falamos de sexualidade
Ao trabalhar sexualidade, não buscamos “corrigir” comportamentos, e sim compreender o lugar que certas escolhas ocupam na história do sujeito. Frequentemente, sintomas (inibição, culpa, repetição de padrões) apontam para um enredo desejante que pede palavra.
- Autoconhecimento do desejo: diferenciar o que é seu do que foi esperado de você.
- Laços mais leves: reconhecer padrões de escolha e negociar limites.
- Menos culpa, mais responsabilidade: sair do ideal impossível e entrar no possível do sujeito.
3) Três confusões comuns (e uma boa saída)
- “Sexualidade = performance” — Reduz o desejo a rendimento. Na clínica, interessa o sentido, não o placar.
- “Se sinto, devo agir” — Nem tudo que aparece como impulso é endereçado à ação; às vezes pede simbolização.
- “Existe jeito certo” — Existe o seu modo singular de desejar e de fazer laço, a ser construído na fala.
4) Quando procurar análise para falar de sexualidade?
Alguns sinais que indicam que pode ser o momento:
- Repetição de vínculos que machucam (ciúme, idealizações, indisponibilidade crônica).
- Conflito entre desejo, culpa e exigências externas.
- Ansiedade, inibição, ou sensação de “não me reconheço no que faço/aceito”.
A análise oferece um espaço de fala protegido, onde o tema da sexualidade pode emergir sem moralismo nem pressa, para que o sujeito reconheça suas coordenadas e escolha novas saídas.
5) Para concluir: sexualidade é sobre quem somos
Falar de sexualidade é falar de identidade, laço e sentido. É por isso que a psicanálise afirma que o trabalho não é “ensinar o certo”, e sim acompanhar o sujeito a escrever o seu modo de desejar — com menos sofrimento e mais responsabilidade.
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